terça-feira, 17 de dezembro de 2013

SÓ UM MINUTO

Ele não havia ficado suficientemente parado.

Um segundo talvez fosse o suficiente.

O lema era vida, mais vida, viva! Muita vida!

Carpe dien clichê?

Ninguém havia afirmado que aproveitar
seria uma busca intermitente por movimento
 - entendera errado.

E agora ele estava lá,
diante da VERDADE 
sem sequer imaginar que ela existia,

que havia tanta pausa na vida 
até pararmos completamente.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

COERENTEMENTE

Concatena que não há coerência:

"Minhas palavras em meus olhos
somente encontram fragmentos."

“Todos eles com seus corpos novos,
experimentando.
E eu, que tudo fiz,
buscar em que minha pele possa encostar
e obter novos sentidos?!”

A criança fazendo um plié
– inventa uma música sabe-se lá de onde.
O movimento nada preciso, ela grita:
“Sou uma bailarina!” e desequilibra.

Eu de movimentos complexos
Quase murmuro:
“Sou uma pedra.”

Se o existencialismo não cansasse tanto,
haveria de ser mais um passo – aventura de menina.
Um giro mal dado, um tropeço
e altura suficiente – é melhor ficar parado.
Até a palavra, cala-se:
“Uma palavra mal dita é
a falta de sofisticação na escrita.”

Como exigir coerência no que vejo?

Rearranjar-me é complicado,
cada pancada é caco que voa
para todos os lados.


Nunca haverá um resultado.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

ECOADO



Tem mais preto aqui a carne branca.
Tudo menos o que é meu
Porque talvez não tenhamos nada.
Somos um teco do outro do outro do outro
outro outro um eco
Aquilo que a montanha estilhaça
do grito solitário de um índio no abismo.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

ESPERANÇA

Quanto de vida há quando o tema é superação?

Quando de vida há em um trecho?


Ele inteiro é trecho-ápice-trecho.


Nesses hifens, o óbito.

AMOR DE MÃE

Não encontrei nada nessa casa que habito
a não ser instabilidade.

Quando saio dela é maior o meu espanto.
Sem aquelas paredes que me revestem
vejo que há mais coerência em estar morto
a dormir na cama dessa morada.

A família sentada à mesa para jantar
chupam a sopa dos seus talheres e trocam afeto com risadas
Ali sentado, meu corpo, as paredes,
vou para as poucas opções:
Cantinho ou aquele outro quarto ali.

Lá fora, na rua caminho, e longo trajeto, porém reto,  
coerente. E quem organiza é quem? sabe-se lá,
está pronto e acabado com riqueza de detalhes 
de lógica urbanizada.
Aqui, no meu estômago, 
quem dobra a roupa de cama sou eu.

Lá fora, uma única pessoa não faz verão.
Aqui dentro uma única é capaz de criar estações.

Não está certo -
essa casa.

Alguns dias digo que me mudarei,
mendigar às sarjetas.
Nos outros, tranco-me as janelas e portas
deito e durmo para quase não acordar.


Quando vejo o relógio desperta - hora de trabalhar.