Não
encontrei nada nessa casa que habito
a não
ser instabilidade.
Quando
saio dela é maior o meu espanto.
Sem
aquelas paredes que me revestem
vejo
que há mais coerência em estar morto
a
dormir na cama dessa morada.
A
família sentada à mesa para jantar
chupam
a sopa dos seus talheres e trocam afeto com risadas
Ali
sentado, meu corpo, as paredes,
vou
para as poucas opções:
Cantinho
ou aquele outro quarto ali.
Lá
fora, na rua caminho, e longo trajeto, porém reto,
coerente.
E quem organiza é quem? sabe-se lá,
está
pronto e acabado com riqueza de detalhes
de
lógica urbanizada.
Aqui,
no meu estômago,
quem
dobra a roupa de cama sou eu.
Lá
fora, uma única pessoa não faz verão.
Aqui
dentro uma única é capaz de criar estações.
Não
está certo -
essa
casa.
Alguns
dias digo que me mudarei,
mendigar às sarjetas.
Nos
outros, tranco-me as janelas e portas
deito e
durmo para quase não acordar.
Quando
vejo o relógio desperta - hora de trabalhar.

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