quarta-feira, 21 de agosto de 2013

AMOR DE MÃE

Não encontrei nada nessa casa que habito
a não ser instabilidade.

Quando saio dela é maior o meu espanto.
Sem aquelas paredes que me revestem
vejo que há mais coerência em estar morto
a dormir na cama dessa morada.

A família sentada à mesa para jantar
chupam a sopa dos seus talheres e trocam afeto com risadas
Ali sentado, meu corpo, as paredes,
vou para as poucas opções:
Cantinho ou aquele outro quarto ali.

Lá fora, na rua caminho, e longo trajeto, porém reto,  
coerente. E quem organiza é quem? sabe-se lá,
está pronto e acabado com riqueza de detalhes 
de lógica urbanizada.
Aqui, no meu estômago, 
quem dobra a roupa de cama sou eu.

Lá fora, uma única pessoa não faz verão.
Aqui dentro uma única é capaz de criar estações.

Não está certo -
essa casa.

Alguns dias digo que me mudarei,
mendigar às sarjetas.
Nos outros, tranco-me as janelas e portas
deito e durmo para quase não acordar.


Quando vejo o relógio desperta - hora de trabalhar.


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