Pippilotti Rist Remix from larsenjohn on Vimeo.
CÍRCULOS PASSIVEIS DE INSTABILIDADE
Uma taça
se microfoniza quando toca os dentes fortes
de uma égua.
“Qual vinho que nada”
Morde a borda – “de quem é a rigidez dos cacos de vidro?!”
Uma garrafa,
sozinha,
sobre a mesa não pressupõe movimento algum.
Julga serem suas mãos
a verdade do que realmente a embriaga
e a faz girar silenciosamente.
“Vidro na boca range diferente da cebola crua triturada entre os dentes.”
Come, e não encontra pesadelos só a vibração de uma tensão
controlada por sinapses um pouco falhas, “ultimamente”.
(Vide bula de remédio – quiçá mais calma depois.)
Cada, cada, cada, cada, cada,cada....cada dedo....não toca
senão uma taça agora sem uso – ou de usos perversos.
“Não tenho móveis,
Como assim não tenho móveis?!”
“Uma casa sem muitos armários não guarda nada.
não tenho mais as chaves...
e fui visitada por um policial
agora aqui...”
Uma garrafa vazia
pressupõe movimentos alternados, desalinhados e desatentos.
“Toco a porta de entrada mas não a vejo....”
Um único corredor possuía
agora não tão cheio de 90 graus de quinas perigosas
“Tá vendo essa cicatriz aqui oh?! Na testa táh foi um dia...criança.
Eu corri e pá nesse maldito corredor cheio de vincos de alvenaria!!!
Logo na testa....”
Agora não...tudo estava aveludado e macio
E seu corpo se debatia entre os cantos de sua casa.


