terça-feira, 27 de agosto de 2013

ECOADO



Tem mais preto aqui a carne branca.
Tudo menos o que é meu
Porque talvez não tenhamos nada.
Somos um teco do outro do outro do outro
outro outro um eco
Aquilo que a montanha estilhaça
do grito solitário de um índio no abismo.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

ESPERANÇA

Quanto de vida há quando o tema é superação?

Quando de vida há em um trecho?


Ele inteiro é trecho-ápice-trecho.


Nesses hifens, o óbito.

AMOR DE MÃE

Não encontrei nada nessa casa que habito
a não ser instabilidade.

Quando saio dela é maior o meu espanto.
Sem aquelas paredes que me revestem
vejo que há mais coerência em estar morto
a dormir na cama dessa morada.

A família sentada à mesa para jantar
chupam a sopa dos seus talheres e trocam afeto com risadas
Ali sentado, meu corpo, as paredes,
vou para as poucas opções:
Cantinho ou aquele outro quarto ali.

Lá fora, na rua caminho, e longo trajeto, porém reto,  
coerente. E quem organiza é quem? sabe-se lá,
está pronto e acabado com riqueza de detalhes 
de lógica urbanizada.
Aqui, no meu estômago, 
quem dobra a roupa de cama sou eu.

Lá fora, uma única pessoa não faz verão.
Aqui dentro uma única é capaz de criar estações.

Não está certo -
essa casa.

Alguns dias digo que me mudarei,
mendigar às sarjetas.
Nos outros, tranco-me as janelas e portas
deito e durmo para quase não acordar.


Quando vejo o relógio desperta - hora de trabalhar.