quinta-feira, 23 de abril de 2009

THE LORD JESUS

Estar para si acima de tudo e de todos.

A plenitude de sentimentos vazios.

Encontrar os alicerce da mentira,
ali se reerguer.

Olhar envolta e respirar alivido:

“AQUI ESTOU EU, COMPLETO E INATINGÍVEL!”

A PRIMAVERA

Filigranas crescendo nas flores do Seu jardim.

No entanto, sente que,
quando outros se aproximam com suas mãos das flores,
pode ouvir o barulho dos files se quebrando.

FAZENDINHA

Tem a vaca
O pasto
E a vaca é malhada
A galinha é somente branca

E mataram um carneiro para fazer churrasco

O menino chora ao ver o bichinho morto
E não há nada para comer
A não ser a carne do churrasco que em breve sairá

Cric-cric do grilo
Grog-grog do sapo
Adentra a noite

Aumenta a fome do menino que come a carne aos prantos


E tem os vaga-lumes
As estrelas
A sombra dos cavalos parados láaaaaaa nomeidomato.

TAPETE VERMELHO



Este filme,
como lidar com ele?
No Play
Without rec.

Os créditos começaram a subir.

Emocionou-se
em meio às cadeiras vazias de cinema,
filme cult não interessa tanto.
Mas não, ninguém entendia,
ele costumava chorar mesmo que
não lhe permitissem.
Sim, as luzes eram acendidas,
estouradas,
incomodando as pupilas
já acomodadas à meia-luz.
Para ele, era como se cravassem
placas de
proíbido emocionar-se-sobre-tapete-vermelho

Um momento insosso,
Olhos vermelhos
e alguém lhe dando um pontapé
“Já está visto”
“Já está pago”
NO REVIEW

Os créditos aparentando serem
mais longos a todo filme.

TESTANDO 1,2,3...




Isto não é um recorder.
Não há som.
Começa assim,
somente letras.

Sons beiram o repulsivo,
não que não sejam belos,
é que falar não é tão manipulável
quanto à escrita..
Viver está entre as duas coisas,
entre manipular a dor e
falar sobre ela.
Inferi-se sobre a vida que:
É um filme com sons a dizer a verdade
e o roteiro, manipula as inconveniências
das fotografias mal elaboradas.

PASSAGEIRO 37

Tranquilizado,
de posse de um bilhete,
assento numerado.
Entra, senta, partida -
indivíduo 37,
seguro de sua passagem
confiante das rodas que não são suas
que o carrega.
Serão 8h30 de viagem
certo de que,
quando pausarem,
e depois de sonolento recorrer ao banheiro do posto de gasolina,
quanto retornar,
poderá encontrar sua poltrona, só sua...
estofada e assim, 37.

Mais seis horas portando um bilhete em suas mãos.

terça-feira, 21 de abril de 2009

A GESTAÇÃO

Ainda sob influências
de espaços não percorridos, não se movia.

Seu olhar cheio de
racionalidade preguiçosa
contrapunha-se às exigencias
pesadas do seu cotidiano-espaço-pausa-agora.

Não via o que realmente pudesse
ser somente seu, carne organizada em sistemas orgânicos.

Cabeça girando lenta
à busca do reconhecimento do entorno.
Ineditismo seria demasiado intenso
para o momento.
O princípio da sobrevivência
a levava a apegar-se
aos breves momentos substantivados:

"A mesa, a cadeira,
a pessoa que senta...a xícara."

Tudo como se fosse um princípio, pré-natal.

Tais circunstâncias
advinham de perdas.

Mas um dia,
teria novamente disponível
seu ventre fértil.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

NEW LOOK

Ele vai cortar seu cabelos
com tesouras opostas ao contexto.
O tempo retrocedendo
aos movimentos de dedos humanos.

Fios curtos de cabelo
caindo lentamente ao seu entorno.
Mais lentos que o barulho da tesoura
que insiste em movimentos rápidos
como sons ritmados de metrô em trilho em túnel
Nada muito pessoal
mas nostálgicos e românticos,
carinhosos como o pente que raspa em sua nuca,
nunca verdadeiro; profissional.

Excitação da navalha percorrendo cantinhos,
perigosa e delicada : se deixasse seus cabelos crescerem talvez dispusesse de certos prazeres.
Instintos sempre vencem, opõem-se à memória; gasta.

E cabelos sempre crescem.