sábado, 22 de novembro de 2014

Revalidando


Tudo que se realiza no corpo, 
se não é novo,
nos aprisiona.

Como se não bastasse
todo esse contorno encarcerando 
nossa potencial liberdade.

Mas, se não fosse a linha, 
onde esbarrar e sentir?

A repetição é o estado do que 
está morto.


Por isso, renascemos, 
aqui ou depois.

Passageiro 37

Tranquilizado,
bilhete de ônibus na mão,
assento numerado.


Entra, senta, partida -
indivíduo 37,
seguro de sua passagem
e das rodas que não são suas
que o carrega.


Serão 8h30 de viagem
certo de que,
quando pausarem,
e depois de sonolento recorrer ao banheiro do posto de gasolina,
quanto retornar,
poderá encontrar sua poltrona, só sua...
estofada e assim

Mais seis horas sob porte de um bilhete na suas mãos

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

VOCÊ, UM LIVRO INTEIRO

O poema,
as vezes tão curto
e você, inteiro alí dentro.

TEMPOS DE GUERRA

Entre livros e livros,
o relato de alguém que pela guerra passou.

Quase inacreditável o sofrimento contido naquele papel
Percebo que, para sentir dor, não é necessário fé
ou época
ou aquela guerra -
há muita dor aqui ao lado.
Preferimos ignorá-la.

Assim fizemos naquela época:
Deixamos os homens matarem uns ao outros
e a vida por alguns instantes,
nessa mentira,
parecia ser o ideal.
"Nada nos atingia!"
Até que a tropa inimiga avançou sobre as defesas nos campos
E vimos nossa casa com buracos de bala
Ou em chamas
E então era verdade
E tarde demais para acreditar

Quase fui fraco,
ao enxergar na falsa bonomia do inimigo,
a preocupação com minhas fronteiras.

Quase fui estóico -
perdi os modos e a razão -
mas, não poderia ver aquilo acontecer novamente.
Rasgo a camisa e grito que não!
Que haverá de ser outra palavra
a que necessitamos !
Outro tipo de bondade
Outra comida
Outra liberdade.